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(já me lixei)

Está a ser um dia complicado... Por este andar vou chegar ao fim do dia com a auto-estima destruída. Leio tanta coisa que não percebo... Será que estou a ficar burra?

Por exemplo, Fernanda Câncio escreve no jugular: «agora que isto do casamento panila já tá (...)»


Eu estou aqui sentadinha à frente do computador e continuo a não poder casar.
Logo, "já tá" o quê?


"Já tá" quer dizer que finalmente conseguiu "fazer a cabeça" ao Sócrates e este está já a resolver essa questão? "Já tá" quer dizer que, uma vez reconhecida a urgência da questão, vão proceder à alteração da lei o mais rápido possível (amanhã?)?


Não sei porquê, "já tá" soa-me mais a "já fiz a minha parte! que boazinha que sou... agora têm de me agradecer! não se esqueçam: quem é vossa amiga, quem sou? pronto, já vou para o céu por ter ajudado estes pobres coitados..."


Lá está, não percebo!!


(E eu até curtia bastante a Senhora... Bem, todos temos dias maus, não é?)

(lá se vai o estudo...)

Não percebo...

Imaginemos que a minha profissão era fazer panelas e uma empresa contratava-me para desenvolver essa actividade.
Vinha então um cliente encomendar 3 panelas e eu, como via que aquilo ia dar muito trabalho e muita chatice, dizia que por razões técnicas não era possível.
O que diria o meu patrão de mim? Certamente me acusaria de ser preguiçosa e de não cumprir a minha obrigação/aquilo para que me paga.

Imaginemos agora que um cliente me encomendava 3 panelas e eu as fazia como me competia.
Teria alguma lógica o meu patrão nomear-me trabalhadora do mês? Afinal, não fiz mais do que cumprir a minha função/obrigação.


Percebem?
É por isso que é ridículo elevar o Sócrates ao patamar dos heróis.

(Intervalo de estudo)

Há quem diga que o passo dado pelo Sócrates/PS neste momento é algo histórico. Tretas. Histórica foi a proposta que chegou à AR no dia 10 de Outubro do ano passado.


O que o PS agora apresenta que valor tem?
Comparado com o que já foi feito na AR: NENHUM!
É apenas uma decisão interna de um partido que muito provavelmente não vai ter maioria absoluta e, por isso, não vai ter capacidade para impôr o que agora (3 meses depois...) já é um imperativo da justiça social.


Questão que se levanta: é óbvio que eu quero que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja reconhecido no nosso país e é igualmente óbvio que esse é um objectivo prioritário na luta pelos direitos LGBT.
Mas quererá isso dizer que estou disposta a que aqueles merdas que supostamente me representam gozem comigo e me utilizem nas suas jogatinas políticas?
A reposta é simples: não.

Pronto. Não aguento mais. Tenho de escrever sobre isto.

No início até tinha alguma solidariedade com os professores e pensava que de facto eles teriam alguma razão: que o modelo de avaliação proposto não era adequado e tal...
Claro que achava exagerado o protagonismo de alguns líderes sindicais e a teimosia de outros, mas até compreendia que lutassem até ao fim contra aquilo que consideravam ser adequado a conduzir ao descrédito da sua classe profissional.

Depois comecei a ouvir as queixas de alguns professores que se referiam à falta de tempo que ia resultar do modelo de avaliação aprovado... e aí... Alto lá e pára o baile!

Na minha cidade, é incontável o número de professores de escolas públicas que têm tempo para dar várias (várias mesmo!) horas de explicações privadas por semana (sem qualquer declaração desta actividade, claro está...)!
Além disto, toda a gente sabe que os professores do colégio privado que fica no centro da cidade são todos simultaneamente professores das escolas públicas! E depois dizem que não têm tempo?
Compreendo... Não têm tempo para se dedicar ao que devia ser prioritário: o ensino público através do qual auferem uma retribuição custeada por todos os cidadãos portugueses!

Com isto, a minha posição deixou de ser tão favorável aos professores...
Mas ontem eles lixaram tudo.

Ainda tenho de procurar nas notícias a confirmação do que ouvi ontem no Jornal da 2, mas se for verdade...

Então os gajos andam desde o início a dizer que não são contra a avaliação, são contra este particular modelo de avaliação e depois afinal a proposta apresentada pelos sindicatos é de que a avaliação seja feita por cada professor individualmente a si próprio?!
Perdi-me. Qual é a diferença entre isto e a não existência de avaliação? Então afinal são ou não são contra a avaliação?


Comecei a pensar na proposta deles... E se calhar até é boa ideia! Vamos alargar isso a outras actividades! Por exemplo: os magistrados!
Vamos acabar com os inspectores e vamos pôr cada magistrado a reflectir sobre o seu próprio trabalho e auto-avaliar-se! Que dizem? Já estou mesmo a vê-los, fechados nos seus gabinetes que cheiram a pó, com a luz do candeeiro e a secretária cheia de processos, de olhos fechados a reflectir profundamente e a fazer uma balanço da sua actividade naquele ano... O país só ficava a ganhar, não era?


Enfim...



Adenda (13/12/08, 15.45h): Uma das notícias que refere a tal proposta encontra-se aqui.

Intervalos do estudo...

Já tinha lido aqui acerca dos dois novos partidos aprovados pelo T. C.

Em relação ao Movimento Esperança Portugal ainda não tive tempo para me informar em profundidade mas só o nome já diz muito (ou mesmo tudo)...
Li as ideias expostas relativamente à área da justiça e a conclusão é: escrevem muito mas não dizem nada (tem muitas letras na exposição de ideias mas no final, bem espremidinho, não fica conteúdo algum). Além disso não dizem nada de novo e o que defendem é o que já vem sendo feito há alguns anos...
(E agora aqui entre nós que ninguém nos lê... É pá... a Laurinda Alves? Por amor de deus... Será preciso escrever mais alguma coisa?)

Já quanto ao Movimento Mérito e Sociedade, fiquei algo entusiasmada com o que ontem li no Mundo Universitário desta semana.
Na página 4 encontra-se uma entrevista a Eduardo Correia e uma coluna "Ponto por Ponto" através da qual fiquei a saber a posição daquele senhor em relação a temas "fracturantes" (agora passo a vida a usar esta palavra no gozo...):

Aborto: "(...) Sou a favor da despenalização do aborto."

Casamento e adopção homossexual (o que quer isto dizer? alguém me explica?): "(...) Devemos ter o direito de casar e viver com quem muito bem entendermos. (...) Na adopção o que importa é a criança ter carinho. Se é criada por um homem, uma mulher, dois homens, duas mulheres, uma avó, por amor de Deus... Temos de parar de catalogar as pessoas dessa forma. (...)"

Drogas: "(...) sou contra a liberalização da venda de droga, mas não o consumo. (...)"

Referendos: "(...) Só utilizam o referendo em matérias em que não se querem comprometer, por medo de perder votos. (...)"


Fiquei entusiasmada com o que li! Cheguei a casa e lá fui espreitar o site deles. Como dizia pouco, fui ler o Manifesto.

Comecei logo a ter comichão!!
Chiça!!
Vade retro seu liberal camuflado!! (se calhar não tão camuflado quanto isso, eu é que estava desatenta)

Concluindo: dois partidos novos mas, definitivamente, nada de novo.
Hoje tornou-se pública, na Assembleia da República, a posição da maioria dos deputados:
continuam a achar que sou uma cidadã de segunda categoria a quem deve ser vedado o acesso a direitos fundamentais.



- Já sei como tu ficas com estas coisas... Quando desligares o telefone vais começar a chorar... Mas calma... Não podemos ir abaixo. Não podemos desistir. Vamos continuar a nossa luta. E tu e eu, fazendo-o da forma que neste momento nos é permitida: dentro das nossas famílias e entre os nossos amigos. Calma, havemos de conseguir...


Vergonha.

Vergonha.

Vergonha.

Vergonha.



"Declarações de voto"?

Eu dou-vos a minha declaração de voto!

O meu voto em vocês:



NUNCA!


Enquanto aqueles filhos da &%7@ jogam ao "faz de conta"...

«Pois é. O nada prioritário tema do casamento das pessoas do mesmo sexo está em debate na sociedade portuguesa desde as legislativas de 2005, foi focado nas presidenciais de 2006 e é periodicamente tema de colunas de opinião. Causa discussão acesa no partido da maioria. Mas não mereceu até hoje um único grande debate no horário nobre das TV portuguesas. Nem o Prós e Contras, do canal público, lhe pegou. Se não é prioritário não dá debate, se não é debatido não se torna prioritário. Podia ser a lógica da batata, mas é mesmo a da fobia. Tão fóbica e pouco lógica que, mesmo "sem ampla discussão", 42% dos portugueses - segundo sondagem da Católica - já são a favor do casamento das pessoas do mesmo sexo. Não é ainda a maioria, não; é só grande parte do eleitorado do PS. Oooops


Via Scone@holics.


Por aqui, continua-se à espera de um milagre.


Para ver em directo: aqui.

Ainda a tentar preparar-me para o dia de amanhã

- E eu preciso da tua autorização para curtir com uma miúda?

- Claro! A primeira coisa que fazias era pegar no telemóvel e ligar-me. Dizias «Está aqui uma miúda e tal...» e eu perguntava-te «Mas é gira?». E tu «É toda boa!». Eu perguntava-te «E de cara também é bonitinha?» ao que respondias «É linda!». Então eu perguntava «E já falaste com ela? Como é?» e tu «É burra como uma porta!» e aí eu dizia «Ok! Podes curtir com ela!».

- Então se for burra não há problema?

- Exactamente.

- Mas essa regra não se aplica a ti! É que se vamos alargar o leque para as burras, isso passa a abranger a Rita Lobo Xavier e eu já sei como tu és!



Vejam o Público de hoje.

Não para lerem o que diz a senhora acima mencionada (que, num texto que tresanda a mofo, diz coisas como «Os pares do mesmo sexo representam opções insusceptíveis de serem convertidas em modelos para uma sociedade», ou «A família humana forma-se a partir do género sexual que lhe dá vida, não é possível constituir família com um género indiferenciado.» que demonstram apenas que a senhora Professora, de facto, não faz a mínima ideia do que está a falar ),

nem para lerem o que diz Jorge Miranda num discurso tipicamente utilizado por juristas quando sabem que legal e objectivamente não têm razão mas fazem uso de todas as suas habilidades de retórica para convencer outrém daquilo que vai de encontro à sua própria escala de valores,

mas para lerem o que, sob o título «Casamento entre pessoas do mesmo sexo: os falsos argumentos» escreve Isabel Moreira.


Deixo-vos uma pequena amostra:

«Uma vez que a Constituição portuguesa impõe a revogação das normas do Código Civil nos termos das quais duas pessoas do mesmo sexo não podem contrair casamento e, se o fizerem, é o mesmo tido por inexistente, o PS não pode deixar de cumprir a Constituição sob o falso argumento que não tem mandato programático para tanto. Isto porque o tem. E porque, mesmo que o não tivesse, a Constituição, e particularmente os direitos fundamentais, tem de ser cumprida independentemente do que os programas de governo ofereçam aos seus leitores.
A proposta de se submeter a questão a referendo não pode ser, por seu turno, levada a sério. Os direitos fundamentais não se referendam. A Constituição já impõe o acesso dos homossexuais ao casamento civil, pelo que nada há a referendar. Por aqui também deveria ficar arrumada a falsa questão da liberdade de voto. Não há consciência, nem inteligência, a fazer de critério; há Direito a cumprir.

(...)

Assim, em face dos limites às restrições aos direitos fundamentais expressados no artigo 18.º da Constituição e do que se vem expondo, quais as razões fortes, excepcionais, constitucionalmente fundadas, para o legislador, perante um grupo significativo da sociedade, impedir o casamento a pessoas de sexo diferente? Certo é que as não há, ou há apenas razões falsas, como a pretensa vocação necessária para a procriação do casamento. É que nos termos da lei duas pessoas de sexo diferente, seja em que idade for, sem qualquer possibilidade de terem filhos podem casar; na realidade, podem casar-se, sem intenção mesmo de se relacionarem sexualmente, podendo mesmo uma delas estar na iminência da morte. Qual é então o fundamento constitucionalmente admissível, à luz da proibição de discriminação arbitrária contida no artigo 13.º em conjugação com o artigo 36.º, n.º 1, da Constituição na atribuição de um direito fundamental para não se conferir a titularidade do direito de contrair casamento a pessoas do mesmo sexo, quando o mesmo é conferido a pessoas de sexo diferente nas situações referidas? Chega de des(culpas) para não cumprir a Constituição. »

Palavra de ordem: casamento

Através do blog Azinhaga da Cidade, encontrei esta "pérola":

«O casamento não estava do programa eleitoral do PS? Eu cá lembro-me de lá ver qualquer coisa sobre o combate contra a homofobia e outras formas de discriminação...
A alteração à lei do divórcio estava no mesmo programa eleitoral? Não. Alterou-se a lei? Alterou.»

e esta:

«Para que não fiquem dúvidas: se eu fosse Deputada do PS à Assembleia da República, não aceitava a disciplina de voto numa questão que, por definição, implica liberdade de consciência, pois é de direitos humanos que se trata. Por isso votava a favor do projecto de lei do BE. Votava a favor do casamento de pessoas do mesmo sexo e do seu direito a adoptar. Na profunda convicção de que, ao fazê-lo, agiria no respeito pelos valores do Socialismo europeu. Pelos valores inscritos na matriz do PS.»

Lindo!

Hoje, em vez de, como seria minha obrigação, passar o dia a dedicar-me única e exclusivamente ao trabalho que tenho de entregar no final deste mês, andei a "surfar" por blogues jurídicos.

Perdi a conta do número de blogs que corri "de fio a pavio" à procura da posição adoptada por cada jurista no que toca ao assunto do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Verifiquei 2 coisas.

Em primeiro lugar: ou não se pronunciavam sobre o assunto ou, os que o faziam, pronunciavam-se totalmente a favor.

Em segundo lugar: "atirando um número para o ar" diria que cerca de 80% dos juristas de pronunciavam a favor.


Mas amanhã temos "circo" garantido com actuação especial dos Senhores Deputados do PS.
Triste.
Triste.
Triste.

Deprimida

Sim, é mesmo isso.

Estou deprimida...

Como é possível que os deputados do meu país gozem comigo desta forma?

Só dá vontade de sair do armário e gritar bem alto:

Nós estamos aqui!!

Nós somos os vossos vizinhos!

Os vossos familiares!

Não somos os outros!

Somos todos e qualquer um!


Somos a vosso neta de quem têm tanto orgulho!

Somos a vossa sobrinha favorita e em quem tanto confiam!

Somos a vossa prima que tanto admiram!


Somos a vossa colega de trabalho com quem almoçam!


Somos a vossa colega de turma com quem tomam café!


Somos a vossa melhor aluna!


Somos a vossa estagiária que exibem!



Quando é que vão entender isto?!?

Toca a mexer!

Uma amiga sugeriu-me um e-mail com o seguinte teor:

«Exmo. Senhor(a) Deputado(a),

A causa que me leva a tomar a iniciativa de lhe enviar um e-mail é a perplexidade.

Tenho observado através dos diversos meios de comunicação social o debate que se gerou em torno da votação no próximo dia 10 de Outubro da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Não foi senão com espanto que tomei conhecimento da posição adoptada pela bancada socialista.

O direito à igualdade e o direito à não discriminação são direitos fundamentais, constitucionalmente consagrados, que não se prendem com razões de programa político, necessidade de debate público ou de consenso na maioria da sociedade portuguesa.
A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo trata-se de um passo fundamental e urgente no combate contra a discriminação e a conivência do Estado com a presente situação, que legitima os mais diversos ataques aos cidadãos homossexuais, tem de terminar.

Por estas razões, venho por este meio apelar a que no próximo dia 10 tome uma opção pautada por razões de respeito pelos direitos fundamentais e opte por fazer justiça por todos aqueles que há já demasiados anos esperam pelo reconhecimento de um direito que lhes pertence.

Melhores cumprimentos,»

A enviar para os e-mails que se encontram aqui.


E o que eu gostava mesmo?
Era de ver os heterossexuais que me rodeiam a enviarem este e-mail... Isso é que era!
Vá lá... Não custa nada! ;)

Ainda a propósito dos cidadãos de 2.ª

Em conversa com a namorada...

- E os colegas do trabalho que não foram convidados para o casamento, juntaram-se todos e ofereceram aquela máquina Nespresso.

- Estás a ver! É incrível! Quando um casal hetero se junta ou casa, toda a família, amigos e colegas contribuem com qualquer coisa e ajudam a "construir" aquela vida em conjunto. Quanto a nós... Qual dos nossos amigos nos vai oferecer uma varinha mágica ou um avental quando tivermos a nossa casa?

- Sim, não temos o apoio de ninguém. Temos de ser nós a construir tudo. Ninguém nos incentiva ou sequer ajuda a "construir" uma casa.

- E nem sequer podemos contar com presentes de casamento. Sei que pode parecer demasiado materialista, mas a realidade é esta: quando um casal celebra o casamento recebe presentes que ajudam o casal a "construir" a sua nova casa. Nós, na melhor das hipóteses, podemos contar com os nosso pais, quando eles lidam bem com a situação.

Em bom português

Demasiado bom para controlar o impulso de copiar:




Faço minhas as suas palavras.

Desilusão (7) - a banda sonora



When I was young, it seemed that life was so wonderful,

And then they showed me a world where I could be so dependable,
oh clinical, oh intellectual, cynical.

Desilusão (6) ou "os heteros também se desiludem"

Ontem foi dia de jantar, cinema e copos com os primos.
Durante o jantar, falando sobre actualidades:

- Então tens acompanhado a última "barraca" do PS?

- Sim, tenho visto nas notícias. Pá, é incrível. Não percebo! Como é possível? E depois ainda há umas mentes iluminadas que vêm falar de referendo. Isso não tem cabimento nenhum! É um direito fundamental que tem de ser reconhecido mesmo que seja contra a opinião da maioria. Com todos os países da União Europeia a caminhar num sentido, como é possível que o nosso ainda ande a discutir isto e a dizer que ainda depende de debate. Não há debate possível sobre esta situação.

- Pois. Claro que não. Então os direitos são fundamentais mas depois afinal já não são fundamentais? Mas afinal estamos na Idade Média, ou quê? E viste o que disse o Sócrates?

- Iá. É inacreditável. Tu curtias o gajo?

- Pá, curtia! Até andava praí a dizer que ia votar nele. Agora, nem pensar! Nem que tenha de votar em branco!

- Pois. Eu também fui apanhado de surpresa. Pensei que os do PS eram a favor. Mas isto só é um reflexo da sociedade retrógrada e conservadora que ainda somos. Estamos ao nível da Itália e da Grécia, com o cunho da religião ainda a marcar tudo. Assim nunca mais saímos da "cêpa torta".

- Mas afinal de que é que vocês estão a falar?

(Os dois ao mesmo tempo)
- Do casamento entre pessoas do mesmo sexo.



Também na blogosfera se podem encontrar outros "heteros" desiludidos. Veja-se, a título de exemplo, o que pensa um membro da Magistratura portuguesa, aqui.

Desilusão (5) ou "onde acaba a falta de vergonha?"





- Ó amor, vê se concordas comigo na análise que faço da jogada dos socialistas: eles queriam continuar a piscar o olho aos gays para depois daqui a não sei quanto tempo garantir que eles continuassem a votar neles.
Sendo a proposta aprovada ou levada a discussão antes disso, então eles são forçados a tomar uma posição, o que não queriam fazer para poderem garantir o voto dos gays para as próximas eleições.
Por isso não querem sequer discutir o assunto...


- ... e se desculpam com vaidosismos políticos vergonhosos.
Os outros vieram estragar-lhes o esquema. Claro que sim!
O plano era: mantemos os gays enganadinhos com promessa de discussão na próxima legislatura. Se avançamos agora não temos outra hipótese senão votar a favor e, uma vez que temos maioria, a proposta era aprovada e pronto.
Assim, os gays que só votavam em nós por isso, já não votariam nas próximas porque já tinham isso resolvido e ainda perdíamos os votos de todos aqueles que são contra e ficavam zangados connosco.
Se tudo corresse como planeado, das duas uma: ou na próxima legislatura tínhamos maioria (o que toda a gente sabe que não vai acontecer) e nessa altura avançávamos com a proposta e andávamos por ali a "enrolar" com debates e discussões e tal para chegar ao fim e dizer que a maioria da população portuguesa é contra e portanto vamos respeitar isso, ou então não tínhamos maioria e avançávamos com uma causa perdida à partida mas que nos garantia o voto dos gays durante os próximos anos.
Mas vieram agora estes gajos lixar o plano!!


- Eles nunca tiveram uma intenção séria de levar isto para a frente! Isso agora é óbvio!


A propósito, vão lá espreitar aqui e aqui.

Desilusão (4) ou "facada nas costas"

Ando tão perturbada com a questão em torno do sentido do voto dos senhores deputados no dia 10 de Outubro que nem consigo escrever nada!

Sou de uma família de tradição socialista.
As pessoas que me rodeiam são, na sua maioria, socialistas. Alguns amigos dos meus pais ocupam cargos dependentes de nomeação política na Administração Pública, outros são membros do PS e foram eleitos para cargos em autarquias e na Assembleia da República.
Acho que posso dizer que era inevitável, tendo em conta a educação que recebi, que mais cedo ou mais tarde também eu iria votar no PS.

Contudo, se dia 10 de Outubro a maioria dos deputados deste partido votarem contra a proposta de alteração do Código Civil que prevê a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, eu juro:

nunca mais o PS terá o meu voto!

Nunca mais!!


Desde que começou a ser levantada esta questão, tenho-me sentido profundamente atraiçoada!

Atraiçoada como cidadã!

Atraiçoada como eleitora!

E desrespeitada como ser humano!


Quem ler este post pensará certamente que se encontra perante algo escrito por uma pessoa visivelmente perturbada. Pois é verdade.

Este assunto perturba-me!
Não posso permitir que o meu País continue a tratar-me como cidadã de segunda! É inadmissível!

E o Manuel Alegre... Eu votei nele... Filho de uma grandessíssima ****!

Passar à acção

Ali no cacaoccino, como já vai sendo hábito, não se fica de braços cruzados a "ver a banda passar" e, vai daí, surgiu mais uma boa ideia.

«Proposta de texto para e-mail

No próximo dia 10 de Outubro, a Assembleia da República será chamada a votar projectos que estabelecem finalmente a igualdade no acesso ao casamento.

Esta é uma questão de direitos fundamentais, é uma questão de cidadania, é uma questão que determina a qualidade da nossa democracia. Trata-se de acabar com a humilhação de muitas mulheres e muitos homens que são ainda discriminadas/os na própria lei por causa da sua orientação sexual. Trata-se de afirmar finalmente que gays e lésbicas não são cidadãos e cidadãs de segunda.

A Assembleia da República terá finalmente a oportunidade de afirmar o seu empenho nesta luta pela igualdade e pela liberdade – e a oportunidade de contribuir de forma particularmente simples para a felicidade de muitas pessoas.

O fim da exclusão de gays e lésbicas no acesso ao casamento consegue-se com uma pequena alteração no texto de uma lei, que não implica custos nem afecta a liberdade de outras pessoas. Porém, será um enorme passo no sentido da igualdade e contra a discriminação. E como demonstraram as discussões sobre o voto para as mulheres ou sobre o fim do apartheid racista na África do Sul, o preconceito que existe na sociedade não pode nunca justificar a negação de direitos fundamentais. Pelo contrário, votar contra a igualdade é legitimar e encorajar a discriminação.

Esta votação representa por isso uma enorme responsabilidade, pelas implicações que terá no reforço ou na recusa do preconceito.

Porque recuso a discriminação na lei portuguesa e porque esta é a oportunidade de repor a justiça e cumprir o princípio constitucional da igualdade, seguirei com atenção esta votação - e apelo ao voto favorável de todos os membros deste Grupo Parlamentar e à defesa intransigente da igualdade no próximo dia 10 de Outubro.»

«Endereços de email dos grupos parlamentares:

blocoar@ar.parlamento.pt,
gp_pcp@pcp.parlamento.pt,
gp_pev@ar.parlamento.pt,
gp_pp@pp.parlamento.pt,
gp_ps@ps.parlamento.pt,
gp_psd@psd.parlamento.pt»

O meu já lá está. E o vosso?

Desilusão (3)

Pela blogosfera "adentro" encontram-se várias opiniões sobre este assunto.
Claro que não perco tempo a ler textos de pessoas cuja opinião é contrária à minha.
Não, não é porque não tenha interesse em saber que argumentos utilizam. É apenas porque já o fiz várias vezes mas o resultado final foi apenas uma grande irritação que não me faz nada bem à saúde (e uma rapariga da minha idade tem de se poupar a certas coisas).

Contudo, entre os que se pronunciam a favor do casamento, a propósito do agendamento para dia 10 de Outubro da discussão na Assembleia da República, tenho encontrado pessoas que dizem algo do género:

«pelo menos, já se começou a falar nisso, dentro do parlamento, com alguma seriedade, o que é um sinal positivo.»

Quando leio este tipo de comentários, perdoem-me a sinceridade (mas afinal para que serve um blog senão para escrever o que realmente vai cá dentro?), o primeiro pensamento que me ocorre é

«É pá! Não me fodam!»

Se gostam de comer areia, bom para vocês mas não andem por aí a espalhar esse discurso ridículo.

Pessoas que acham que em 2008, em pleno século XXI, num país que se diz civilizado, num Estado de Direito democrático que têm os direitos fundamentais dos seus cidadãos garantidos por uma Constituição e por uma Declaração Europeia dos Direitos do Homem (ambos passíveis de aplicação coerciva por tribunais), devemos considerar uma vitória o facto de este assunto estar a ser discutido devem ter problemas de situação temporal.

É quase como, depois de ter sido inventado e estar tão divulgado o computador portátil, ir a uma faculdade de um país desenvolvido dar máquinas de escrever aos alunos e dizer «pronto, já é bom, pelo menos já têm com que escrever».

É pá! Não me fodam!