Durante a tarde (2):


- Agora, por tua culpa, não me sai essa música da cabeça! Mas eu sim, posso cantar essa canções! Porque eu, toda eu... sou um semáforo de gayness!


(e ao mesmo tempo esbracejava qualquer coisa que se assemelhava à coreografia da música YMCA...)


lol lol lol

Durante a tarde:


- In the navy... tralalalala, in the navy... tralalalala...


- Vês porque é que eu digo que tu és "tão fufa"?? Até as canções que tu cantarolas são tremendamente gays!

- O quê?? Não me digas que achas que eu tenho uma "bicha" dentro de mim...

- Onde ela está, meu amor, eu não sei. Se por dentro, por cima, por baixo ou aos lados... Mas que está, está! E sinais disso é o que não falta!




(Este post foi feito sob coacção! Jamais, no total domínio das minhas capacidades, eu admitiria que estava a cantarolar tal música...)

À noite, no sofá:


- É pá! A sério, tu alguma vez tiveste uma conversa de "gaja para gaja" com a tua mãe?


- Não... Porquê?

- Nota-se! Como é possível que ela diga que tu não tens sinais?? Tu és tão fufa!!

Nostalgia...

Lembras-te da neve que "comeste" naquele dia em que mandamos o estudo para as "urtigas"? ;P

Mesmo a calhar:

"Mas eu tenho a certeza de que ninguém – ninguém – acredita deveras que não é livre, ninguém aceita sem mais que funciona como um mecanismo inexorável de relojoaria ou como uma térmita. Uma pessoa pode considerar que optar livremente por certas circunstâncias é muito difícil (entrar numa casa em chamas para salvar uma criança, por exemplo, ou combater firmemente um tirano) e que é melhor dizer que não há liberdade para não se reconhecer que livremente se prefere o mais fácil, quer dizer, esperar pelos bombeiros ou lamber a bota que nos pisa a garganta. Mas nas tripas sentimos qualquer coisa que insiste em dizer-nos: «Se tivesses querido…»"

Fernando Savater, Ética para um jovem, pp. 27 e 28

Confissões

- Ó! Toda a vida foi assim!
Quando era mais pequena, era porque os miúdos andavam todos na rua a brincar sem os pais a controlar e os meus pais não me deixavam ir com eles.
Depois era porque eu não era baptizada e a minha professora obrigava-me a rezar ou a funcionária perguntava-me o que ia ser de mim quando morresse.
Depois foi quando a escola organizou um "passeio da escola" no âmbito da disciplina de Religião e Moral ao qual eu fui a única a não poder ir por não estar inscrita nessa disciplina. Ainda por cima obrigaram-me a ser a única aluna da minha turma na escola naquele dia.
Depois eram as missas da Páscoa e de Natal numa Igreja perto da escola que dispensavam os alunos que lá fossem, de assistir às aulas. Adivinha quem era a única aluna na aula de Educação Visual?
Depois foi nas aulas de Educação Física em que o professor punha as meninas a dançar e os meninos a jogar futebol. Eu não queria dançar e os meninos não me deixavam jogar com eles.
Depois era porque todos saíam à noite até à hora que lhes apetecesse e iam onde queriam e eu tinha de estar à meia-noite em casa e estava proibida de ir a alguns sítios. Sentia-me a única ET do grupo e alguns putos gozavam comigo por isso.
Finalmente ainda tive a reacção dos meus pais quando lhes disse que era lésbica.
Depois de tudo isto, alguém discriminar-me pela minha "gayness"... O que é isso? "Peanuts"!!


E o nosso "Milk"? Ainda vai demorar?

- Eles têm razão... Se todos saíssemos do armário isto dava uma volta...

- Sim, mas não vale a pena iludirmo-nos. Mesmo havendo leis que o proíbem, o racismo e a xenofobia continuam a existir. Com os gays passa-se o mesmo. Não ia deixar de haver discriminação.

- Mas ia haver muito menos! Olha o exemplo das lutas raciais! Ainda há discriminação mas há cada vez menos! Foram à luta e ganharam! Só que eles têm a sorte de não poder esconder a cor da pele!




(Mais ninguém deu pela falta de um grande plano da "rainbow flag" a descer sobre o edifício da Câmara no filme "Milk"?)
Quando "demos o litro", quando fizemos sacrifícios, quando abdicamos de muito do que gostamos, como nos preparamos para o fracasso?

Uma pequena palavra para muitos, uma grande evolução histórica para a minha mãe!

Este dia vai ficar para a história!

Hoje foi o dia em que a minha mãe disse, no meio de uma conversa e de forma natural:

«bla bla bla e ela é tua namorada bla bla bla...»


Estou sem palavras...
No semáforo:

- És tão bonita... Ficas linda iluminada pela luz de travagem do carro da frente.

- Ai sim...? Estás a dizer que fico linda iluminada por luz vermelha? Estás a dizer que a red light me fica bem? Estás a dizer que eu ficava bem era no red light district??

- Estás a extrapolar! Estás a extrapolar!


;P

Ando a matutar há algum tempo...

Dizem que somos um país de doutores.

Doutor práki, doutor práli...
Qualquer badameco licenciado (mesmo com essas novas licenciaturas de 3/4 anos) já é doutor.

Senti muito bem isso quando me licenciei. De um dia para o outro, deixei de ser tratada abaixo de cão para ser tratada como Senhora Doutora por pessoas que não conhecia de nenhum lado.
No início foi muito estranho.
Aquelas palavras antes do meu nome traziam um peso. Sim, eu não me sentia "mais". Quer dizer, sentia-me "mais" sim: sentia-me mais limitada!
De um momento para o outro parecia que tinha de passar a ter mais cuidado com o que fazia, com o que dizia, com o comportamento em geral. Senti mesmo um aumento da responsabilidade. E tudo porquê? Por 2 palavrinhas antes do meu nome! Enfim... Agora já me habituei.

Mas onde eu queria chegar não era aqui.

O que eu queria dizer é que julgo que nós não somos um país de doutores. Somos um país de "meninas".

"Ó menina, traga-me um cafezinho!"
"Ó menina, não tem um tamanho abaixo?"
"Ó menina, faça-me um favor."
"Ó menina, hoje faça arroz para o jantar."

Passo-me! Passo-me com esta gente! "Ó menina"?!?

Primeiro: cada vez mais as pessoas atrás de um balcão são licenciadas. Logo, se as encontramos num sítio, são senhoras doutoras, se as encontramos noutro já são "meninas"?

Segundo: muitas das pessoas que trabalham em lojas ou restaurantes ou cafés ou o que seja, não são licenciadas mas nem por isso merecem menos respeito! Lá por não ser licenciada isso dá direito às outras pessoas de me tratarem como se fosse uma criança? Mas que raio de lógica é esta?

Terceiro: ainda que a pessoa que me está a servir seja mais nova do que eu, isso não me dá qualquer tipo de superioridade nem a diminui no respeito que merece. Se não a conheço de lado nenhum, no mínimo trato-a por Senhora.

Dizem que, comparados com os outros países, somos muito formais neste tipo de tratamentos. Eu cá acho que somos é incoerentes!


Não tenho nada contra os formalismos e acho que são até bastante úteis para manter um distanciamento saudável nas relações (meramente sociais ou de trabalho) mas acho que devem ser aplicados a todas as pessoas e não apenas a quem tem em casa um canudo a ganhar pó.

Vai "buscuá-la"

- Mandei-te um mms, viste?

- Vi. Estavas de pijama. Também mandaste para as outras?

- Não, mandei só para ti.

- Aaaaahhh... Estava a ver...

- Para as outras mandei sem pijama!!
Coisas que fazem rir às 3:21h da manhã:

um Excelentíssimo Conselheiro do Supremo que, citando uma obra da sua autoria, se refere à mesma como «obra prestimosa».

Haja paciência...
Estou um caco.

Noite difícil...

4h
Vou deitar-me que isto já não está a render...

5h
Bolas. Porque é que acordei? Bem, virar para o outro lado e continuar a dormir.

8,26h
Ok, ok! Já toda a gente nesta casa ficou a saber que o despertador não tocou e já devias ter saído mas não há necessidade de fazer tanto barulho! Há quem precise de descansar! Virar para o outro lado e dormir.

9,18h
Sms: "Maria tás acordada?" Por acaso não estava!

10,22h
Sms: "Ainda dormes?" Graças a ti, já não!!

11h
Despertador. Nããããããããoooooooo...
Como esta cena de estar sempre debruçada sobre os livros afecta gravemente a minha coluna (sim, sou muito fraquinha...), um amigo fisioterapeuta indicou-me em Outubro alguns exercícios que devia fazer diariamente (a parte dos exercícios até tenho cumprido... a parte do diariamente é que já nem tanto...).
Coisas simples. Entre outras, dobrar-me para tentar chegar com as pontas dos dedos ao chão tendo as pernas esticadas.

Hoje, finalmente (!!), consegui tocar no chão!! Consegui!! Consegui!!

(nem quando era miúda e praticava 2 ou 3 desportos ao mesmo tempo conseguia)

Para compensar, hoje tornou-se oficial: atingi níveis de celulite nunca antes vistos.

Hai... esta vida está difícil... ;p
Haverá sensação mais desanimadora do que a de que já não vale a pena estudar?

"gap" geracional

Conversa ao almoço com meu pai e irmão:

Gayja: Não percebo o que estes putos têm na cabeça! Estão sempre a arranjar problemas, sempre a meter-se em sarilhos... No meu tempo não era nada disto!

Irmão da Gayja: Pois... Eu há uns dias safei um sobrinho da M. num bar onde houve uma rusga. E depois assisti a uma cena de um pai ir buscar uma miúda dentro do bar e ela a fingir que tinha o telemóvel avariado. Levou um raspanete à entrada do bar...

Gayja: A sério que não entendo. Os putos de hoje só se enterram!

Pai da Gayja: Ó... Até parece que tu não eras tal e qual...

Gayja: Claro que sim! Ou até pior! (em tom de desafio) Mas nunca fui apanhada!

;)
Estou tão farta de estudar!


Estou tão farta de estudar!



Estou tão farta de estudar!



(Era só uma experiência... Podia funcionar como o Beetlejuice e aparecer um anão verde que me levasse para a Terra do Nunca onde eu não mais teria de estudar sob a pressão dos prazos!)

Quando eu for grande

quero, pelo menos, chegar aos calcanhares de Francisca Van Dunem.