Quando estudava na faculdade, o Domingo à noite era a altura de encher a mala com roupa a cheirar a detergente, voltar a meter os livros na mochila (tanto aqueles livros passeavam... pena que só fossem abertos um mês antes dos exames...) e regressar à cidade onde passaria mais uma semana a curtir (era tão feliz e não sabia...) e a ir às aulas de vez em quando (ora pois, o curso não caiu do céu!).
Não me recordo se foi no 2.º ou no 3.º ano, mas lembro-me de uma noite em que o transporte nessa viagem ficou a cargo da minha mãe. Claro que ela não se controlou e lá começou a conversa do costume... As notas, blá, blá, blá... O futuro, blá, blá blá... E depois disse:
«Porque tu, como mulher, tens de ser melhor. Não basta seres normal e estares ao mesmo nível de outros, principalmente se esses outros forem homens. As mulheres ainda são discriminadas nessa área. E tu, sendo mulher, tens obrigação de ser melhor.»
Naquela altura a minha reacção foi:
«Coitada da minha mãe... Ainda vive no século passado! Isso já não existe! Agora as mulheres e os homens são tratados de forma igual!»
Já estão a ver onde isto vai dar...
Não foi preciso passar muito tempo desde essa noite de Domingo para eu perceber exactamente ao que a minha mãe se referia. E ela tinha toda a razão.
Ainda hoje tem.
Dizem que as mulheres estão a "tomar conta" do Direito. É totalmente verdade.
Mas este facto não exclui a discriminação que ainda existe. Só a torna ainda mais incompreensível!
Não vou sequer referir-me às outras áreas, umas mais flagrantes que outras, pois não vou dar uma novidade a ninguém. Todos sabem que a discriminação ainda existe.
Por isso este dia é importante.
E não é importante para as mulheres. É importante para o ser humano. É importante para todos os que defendem uma sociedade igualitária e justa.