Ando a matutar há algum tempo...

Dizem que somos um país de doutores.

Doutor práki, doutor práli...
Qualquer badameco licenciado (mesmo com essas novas licenciaturas de 3/4 anos) já é doutor.

Senti muito bem isso quando me licenciei. De um dia para o outro, deixei de ser tratada abaixo de cão para ser tratada como Senhora Doutora por pessoas que não conhecia de nenhum lado.
No início foi muito estranho.
Aquelas palavras antes do meu nome traziam um peso. Sim, eu não me sentia "mais". Quer dizer, sentia-me "mais" sim: sentia-me mais limitada!
De um momento para o outro parecia que tinha de passar a ter mais cuidado com o que fazia, com o que dizia, com o comportamento em geral. Senti mesmo um aumento da responsabilidade. E tudo porquê? Por 2 palavrinhas antes do meu nome! Enfim... Agora já me habituei.

Mas onde eu queria chegar não era aqui.

O que eu queria dizer é que julgo que nós não somos um país de doutores. Somos um país de "meninas".

"Ó menina, traga-me um cafezinho!"
"Ó menina, não tem um tamanho abaixo?"
"Ó menina, faça-me um favor."
"Ó menina, hoje faça arroz para o jantar."

Passo-me! Passo-me com esta gente! "Ó menina"?!?

Primeiro: cada vez mais as pessoas atrás de um balcão são licenciadas. Logo, se as encontramos num sítio, são senhoras doutoras, se as encontramos noutro já são "meninas"?

Segundo: muitas das pessoas que trabalham em lojas ou restaurantes ou cafés ou o que seja, não são licenciadas mas nem por isso merecem menos respeito! Lá por não ser licenciada isso dá direito às outras pessoas de me tratarem como se fosse uma criança? Mas que raio de lógica é esta?

Terceiro: ainda que a pessoa que me está a servir seja mais nova do que eu, isso não me dá qualquer tipo de superioridade nem a diminui no respeito que merece. Se não a conheço de lado nenhum, no mínimo trato-a por Senhora.

Dizem que, comparados com os outros países, somos muito formais neste tipo de tratamentos. Eu cá acho que somos é incoerentes!


Não tenho nada contra os formalismos e acho que são até bastante úteis para manter um distanciamento saudável nas relações (meramente sociais ou de trabalho) mas acho que devem ser aplicados a todas as pessoas e não apenas a quem tem em casa um canudo a ganhar pó.

2 sobreviveram ao "lápis azul":

subtilezas disse...

olha! a primeira vez q não concordo em NADA contigo. eu adoro ser tratada por menina, adoro, gostava q me tratassem assim até morrer. mas qual doutor?!?!? isso é uma tremenda treta. ganhas respeito dos outros por te tratarem por doutor? eu não acredito nisso. aqui onde trabalho, uma licenciada quer ser chamada por doutora pra ser respeitada pelos clientes. mas ela é uma nulidade profissional, em contrapartida outro licenciado, catedrático q dá aulas está-se a cagar pra isso e é um excelente profissonal, super respeitado. somos um país de doutores da mula-russa. estou farta disto. a sério. agonia-me. canoijo/*

Gayja disse...

Aleluia! lol ;)