Este blog começou numa altura em que eu estava mal.
Tinha acabado de me licenciar e, não só ainda não tinha decidido o que queria fazer, como tentava fugir a esse assunto. Não estava preparada para decidir o que quer que fosse.
O departamento amoroso da minha vida estava um verdadeiro caos.
A relação com a minha primeira namorada tinha terminado porque eu estava perdidamente apaixonada por outra mulher.
Estava muito confusa, não sabia o que fazer ou como gerir o que sentia. Apesar de ter já tido muitos sinais de que aquela relação estava a esgotar-se e fazia cada vez menos sentido, eu julgava que ainda a amava e estava a ter alguma dificuldade em libertar-me. Por outro lado, não sabia quais eram as intenções desta mulher por quem me tinha apaixonado e o medo de criar expectativas que viessem depois a ser frustradas não me permitia tomar uma posição definitiva.
A minha mãe, vendo-me a entrar nesta espiral de confusões, fez-me um ultimato.
Uma manhã de Domingo, eu estava a tomar o pequeno almoço, ela entrou na cozinha, colocou-se de pé à minha frente e com as mãos pousadas sobre a mesa disse-me: "Já decidiste o que vais fazer? Chega de atrasar esse assunto. Está na altura de decidires e traçares um plano."
E assim foi.
Em relação à parte amorosa da vida, decidi deixar-me de merdas e fazer o que queria. Arriscar sem medo. E aqui estou eu: ao lado da mulher que amo cada dia mais (é a pdl) e que todos os dias me retribui todo esse amor. Quanto a este "departamento", digo sem qualquer hesitação que não poderia ser mais feliz.
Mas nem só de amor vive uma mulher.
Muito menos uma mulher como eu para quem o trabalho, a carreira, a ambição e realização profissional são a razão para sair da cama todos os dias.
Escolhi um objectivo.
Fui falando com as pessoas que me rodeavam para saber o que achavam e tracei um plano para conseguir "lá" chegar.
Nessa altura, as reacções foram diversas. Desde o muitas vezes ouvido "mas isso não é muita coisa?" ao "olha que isso é muito complicado... é melhor ires pensando noutras coisas", passando pelo "se há alguém que consegue, esse alguém és tu!" e pelo "meu amor, vai ser difícil mas eu acho que tu consegues".
Hoje consegui. Realizei o meu maior sonho.
Houve alturas em que tive um ritmo de trabalho totalmente alucinante. Tinha todos os dias controlados ao minuto e apenas o Domingo livre (para estudar!). Saltitava de uns compromissos para outros tendo até por vezes de sair mais cedo de uns para chegar a tempo a outros cujo horário coincidia.
Muitas vezes chegava ao final do dia e só queria cair nos braços da minha namorada e dormir. Outras alturas tornei-me absolutamente insuportável, com mau humor e implicativa e atirei tudo isto para cima da única pessoa que podia compreender e perdoar tamanha infantilidade e descontrolo hormonal: a minha namorada. Se vos dissesse tudo o que ela aturou...
Agora ficava bem dizer "nunca deixei de acreditar que conseguia!" mas não é verdade. Houve alturas em que me apeteceu rebentar com tudo, mandar tudo à merda e desistir.
Valeram-me duas pessoas: a minha mãe e a minha namorada.
1. A minha mãe que um dia, quando lhe disse que não aguentava mais e estava farta, me respondeu "aguentas sim! Sabes porquê? Porque tu és Mulher! Aguentas isso e muito mais!"
2. A minha namorada que várias vezes, com a maior paciência e calma que possam imaginar, me disse "anjinho, concentra-te no teu objectivo. Tens de ser forte... Não faças nada que possa comprometer o teu caminho."
Na fase mais crítica deste percurso, a coisa ficou feia. A minha vida social morreu e valeu-me o apoio, além dos suspeitos do costume, também de alguns amigos. De uma em particular que me telefonava com alguma frequência para saber como eu estava e para me dar força.
Mesmo no final, entrei na fase do choro. Aí já estava a dar as últimas e chorava por tudo e por nada.
Valeu a pena. Tudo valeu a pena!
Quando estava no meu 12.º ano a pensar no que ia fazer com a minha vida tomei uma decisão: estabeleci os 25 anos como idade limite para atingir a minha independência económica.
C o n s e g u i .
Hoje sou só mais uma gayja, mas sou a gayja mais feliz do mundo.