Claro que um dia rebento...

Ao telemóvel com a minha mãe:

- Tu vais a Lisboa este fim-de-semana??

- Vou.

- Não vais à marcha gay, pois não?!?

- Não... Havia de ir lá fazer o quê...?

- Tu vê lá o que fazes... Não queiras estragar a tua vida que ainda agora está a começar!

- Tá beeeeeem... tá beeeeeeeeem...

- Ainda por cima com as mudanças políticas que tem havido ultimamente!!

- Olha, por isso mesmo! Mais uma razão para ir e para tu vires comigo!!

Esta última frase não a disse. Porquê?!? Porque é que só me lembro destas respostas depois?!?

Hoje ao almoço, o meu pai:

- Não precisas de rasgar esses papéis.

- Pois, mas pode ter alguma informação minha e eu sou muito reservada com as minhas coisas.

- É pena que não sejas mais reservada em tudo o resto...

- Reservada? Ou quererás dizer escondida? Enclausurada?! Já sei, que tal dentro de um armário fechada a 7 chaves?!

E também não disse esta última... Porquê?!? Porque é que eu não consigo pensar e responder rápido?!?


As pessoas dizem que se preocupam muito connosco. Que quando dizem estas coisas é porque se preocupam com a nossa vida, com o nosso bem-estar, com o nosso futuro.
Mas no dia-a-dia,
quando têm oportunidade de dizer "eu preocupo-me contigo portanto vou fazer algo para mudar a mentalidade das pessoas que me rodeiam e facilitar a tua vida", onde estão eles?!?

Da puta da teoria do "eu gosto muito de ti portanto mete debaixo do tapete" já os gays estão cheios!! Isso não é preocupação connosco, é preocupação única e exclusiva com eles e com o que os outros poderão dizer!!

Para isso, meus familiares e amigos, calem-se ou ponham-se longe!!

4 sobreviveram ao "lápis azul":

Cris (Mahinder Kaur) disse...

Também sofro desse mal de não ter resposta rápida. Depois fico a morder-me por não ter dito o que devia ter dito... Quanto à teoria... :(

@rco Íris disse...

hey o que eu retenho importante daqui é: não vais a marcha??!

Gayja disse...

Cris, desconfio que deve ser um dom que se desenvolve com a idade... ;)

@rco Íris, percebeste mal. Claro que vou. Os meus pais apenas tentaram fazer-me mudar de ideias, ninguém disse que o tinham conseguido. ;) Aquele "Não... Havia de ir lá fazer o quê...?" foi no tom mais irónico que possas imaginar.

walla disse...

Eu vou, vai ser a primeira.

Relativamente aos pais, no inicio também tinham essa política "o que é que os outros irão pensar" mas agora é um assunto completamente trivial. Acho que entenderam que as coisas já não são como eram e vêm que assim sou feliz.